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quinta-feira, 4 de junho de 2015

Estudiosos discutem educação emocional em Seminário Internacional que acontece na capital


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Filósofo Juan Casassus

Filósofo António Válles

Marcos Eugênio

Reunir estudiosos, pesquisadores para contribuir para uma formação de pessoas que estão comprometidas com uma educação de mais qualidade. Este é o objetivo central do I Seminário Internacional de Educação Emocional, que acontece hoje e amanhã (sexta-feira 05) em João Pessoa, na Estação Ciência Cabo Branco.

Uma das idealizadoras e coordenadoras do evento, professora-doutora e escritora Elisa Pereira Gonsalves, diz que está havendo uma falência na maneira de se trabalhar dentro das escolas. Para ela, uma das causas tem sido a preocupação cognitiva (aquisição do conhecimento). "A questão do universo emocional tem sido um mistério para nós, por que ainda não conseguimos entender direito, e os cursos de formação não nos ajuda a entender como é que podemos compreender as emoções no aluno e fazer com que essas emoções colaborem com o aprendizado dele, para que ele seja melhor na vida. Não é uma coisa só atrelada à Matemática, português, é algo muito que isso", explicou.

A pesquisador disse que é fundamental o ensino da educação emocional na escola pública. Falou da série de emoções presentes em determinados atos, citando a violência escolar, como exemplo o bullying. Explica que a raiva, o medo, aversão ao outro, estão em todos os processos de violência. “Se o professor não consegue identificar, trabalhar bem cada emoção dessas, não adianta só punir, castigar, então ele estará mexendo lá na ponta e não na prevenção. A educação emocional age como uma prevenção aos atos violentos”.

Hoje no Brasil há vários grupos em instituições de ensino, a exemplo das universidades, desenvolvendo estudos na educação emocional. O que espera dos resultados oriundos do I Seminário Internacional, que reúne pesquisadores de todos os cantos do Brasil e de outras nações, Elisa acredita que essas pessoas vão se unir e formar uma só rede, expandir esses conhecimentos, e que a universidade possa voltar seus interesses para uma intervenção prática, não ficando presa às quatro paredes. “Temos que trabalhar junto com os professores, com a sociedade”, enfatiza.

Sobre seu último livro, lançado durante o seminário, com o título “Educação e Emoções”, apresenta uma nova metodologia destinada aos professores, para que estes possam trabalhar as emoções de seus alunos, individualmente ou em grupo. Defendo que não é preciso ser psicólogo para trabalhar a educação emocional. Um pai, uma mãe, tio, avó, todos nós somos educadores emocionais, querendo ou não você está educando aquela pessoa na relação que você tem com ela. Esse livro pretende dar mais clareza para que as pessoas sejam mais conscientes sobre isso”, enfatiza a professora da UFPB.

As pesquisas sobre a educação emocional cresceram bastante nos últimos anos em várias partes do mundo. Uma dessas referências é o filósofo e sociólogo chileno, Juan Casassus, conferencista do I Seminário Internacional de Educação Emocional, ouvido pelo pbnoticias. Ele dirigiu um amplo estudo solicitado pela Unesco sobre a qualidade da educação na América Latina, em 14 países, inclusive Brasil.

Questionado sobre o trabalho da educação emocional na escola disse ser da mais alta importância. Explicou, com base em seus estudos, que o homem tem que aprender a se relacionar, a se autoconhecer e que toda aprendizagem depende da emoção. “As experiências com o estudo da emoção estão acontecendo em muitas escolas de países distintos, uma pequena revolução no processo de aprendizagem. “Vivemos numa sociedade marcada por muita violência, frustração, raiva, tristeza, isso é um problema muito duro para as escolas”, opina, defendendo um modelo de ensino que olhe com mais carinho para as crianças e adolescentes, atendendo os anseios destes, melhorando a interatividade emocional entre estes e a escola.

Outro filósofo e estudioso da educação emocional, também palestrante do seminário, Antônio Válles, da Universidad de Alicante – Espanha, comentou que a educação emocional está relacionada ao desenvolvimento das competências de perceber, expressar e valorizar as emoções, e que os programas educativos devem permitir o desenvolvimento da inteligência emocional.


Nesta sexta-feira 5 haverá conferências com Elisa Gonsalves e com Juan Carlos Perez, da Espanha.

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